domingo, dezembro 31, 2006

Gatos em apartamento



Nasce o sol. Ela fecha levemente os olhos. Vira o rosto. Ele olha o sol. Olhos arregalados. Os dias tiraram dela a liberdade. Para ele, os dias trazem esperança. Nela, uma certeza implacável: o confinamento. Nele, a avidez por fuga atropela seus dias.

Suspiram.

Ela parece cansada. Ele parece sonhar. Ela aceitou sua sina e tem dias monotonamente felizes. Ele, inquieto, deixa o coração correr além da janela. Ela, mais velha; ele, criança... Mas, ainda estão bem.

As pessoas também são assim: como gatos presos em apartamentos.

(Pensamento de Edward - o amigo visitante - em um momento com vodka, entre gatos, louças, nascer do sol e sono velado...)

sábado, dezembro 30, 2006

Minha pequena bailarina...


Na ponta do pé,
quer tocar as estrelas.
... mundo gira, mundo gira, mundo gira, mundo gira ...


Na ponta do pé
equilíbrio desafia.
... mundo gira, mundo gira, mundo gira, mundo gira ...

E em segundos,
o mundo e ela
estão juntos.

(Edward, visitante amigo)

sexta-feira, dezembro 29, 2006

(...)




Recusa

se me desnudo
e tu fechas os olhos

corpo em solidão.

(...)


Casulo aberto

teu corpo em segundos
no espaço de minhas mãos.


Ela, borboleta.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

PARA TE DESMONTAR (meu ser em pedaços)















Desmonto-te
para te aparar com mãos e boca,
meu ser em pedaços.

E se tudo posso fazer
– por ter o pensamento livre –
proclamo-me tua dona!

(pelas próximas linhas)

Pegar nas tuas costas.

Minhas mãos em tuas costelas de moça
cada uma em cada lado
a te pressionar.

Entregar-me aos teus seios...

Lamber,
cheirar,
mordiscar,
sugar.

Olhos fechados,
nariz e língua a guiar...

Querer-te-ia assim:
eu a te puxar.

Ora pra frente, ora pra trás,
embalando tuas costas
numa dança sensual...

Imagina, amor, que bela dança seria!


Vejo a cena.

... teu pescoço levemente para trás...
nariz e boca em teus seios,
mãos em tuas costelas.

Ai, ai, ai
pressa em te amar novamente.

Ainda como tua dona,
regeria esse balé de corpos a suar
num preparo para o amor.

Depois de deleitar-me em teus seios,
desceria minha mão por tuas costas
empurrando tuas ancas, deslizando-as até mim.

Enquanto isso, meu corpo
– entre tuas pernas –
ganharia espaço até tua flor.

Que bela flor tu tens, amor!

Assim, aos teus pés,
render-me-ia
aos teus encantos...

Recanto do meu ser
em pedaços por ti.

(Poesia publicada na antologia "Poetas do Café", 2006)

Mormaço e suor


Mormaço – cheiro quente de terra molhada – definia o hálito daquela tarde de domingo. Um veneno para a maioria dos asmáticos. Para ela, porém, o veneno era indiferente. A angústia do abandono não deixou espaço para crises alérgicas. Ela simplesmente caminhava pela rua, ladeira acima, acompanhando o asfalto da avenida. O local de chegada não tinha importância, apenas o caminhar importava naquele momento. E, enquanto o suor timidamente surgia dos poros, a sensação de abandono tomava conta da alma, expulsando de vez a angústia, criando um vácuo em seu peito. “Suor”, pensou. Sentiu o corpo molhado – pernas, braços, costas, rosto, nuca, sexo – “Tudo molhado”. Não eram mais necessárias as lágrimas, já estava molhada de água salgada. Cansou de caminhar. Pegou um ônibus.

Foi ao cinema encantar baleias...


(nova visita de Edward. Microconto publicado na antologia virtual "Ação e Reação", do site www.avbl.com.br)

domingo, dezembro 24, 2006

Lençóis frios


Madrugada.

Ela virou de lado e sentiu o vazio na cama. Dor iminente. Cerrou com mais força os olhos. Protegida pelo escuro, quis esquentar aquele canto da cama. Disfarçar a solidão. Esticou-se. Ainda podia sentir o vazio. Crescendo - um monstro carnívoro - da cama para a alma. Ela enxergava o vazio por entre as pálpebras herméticas. O vazio fazia parte dela. Em mim, o vazio causa cansaço, nela dor latente... Há quanto tempo vivera esse romance? A pergunta trouxe alívio. Vazio preenchido por uma pergunta. A razão pede uma trégua pra refletir. “Todo sentimento é precedido de um pensamento”. É preciso antes pensar pra sentir, senão como classificar o sentimento? Lera algo sobre isso em algum lugar. Agora, na cama de um lado vazia, pensa para não sentir... Aprendera com o tempo: quando o vazio guarda o lugar para a dor é preciso perguntas. Quanto tempo durou aquele romance? Pouco mais de 12 meses e um sentimento que veio como para a vida inteira.

(De Edward, um outro amigo de Hannah)

quarta-feira, dezembro 20, 2006

sábado, dezembro 02, 2006

UM TOQUE DE POESIA


pontas de dedos
- sobre a pele fina de um dorso claro -
deslizam
eriçando pêlos ateus...

que outra poesia poder-se-ia querer?

(poesia publicada na quarta edição da revista virtual "Desfolhar.com")

sábado, novembro 11, 2006

Insistência no sentir


Entre matizes de cores vivas,
um tom de cinza
a me perseguir.

(Pra falar de como eu me sinto)

Meu olhar de cada dia


Dias turvos,
tuas pupilas embaçadas.

Olhos coloridos
e sonoras gargalhadas!

sexta-feira, novembro 10, 2006

REMOTA INFÂNCIA


Uma tem cinco anos.
A outra fez seis há pouco.
São amigas de brincar de calcinha na calçada.

Uma tem cabelo liso e comprido.
A outra, loiros cabelos crespos.
São amigas de fantasiar nas brincadeiras pueris.

Uma é destemida,
forte e protetora.
A outra é doce,
frágil e delicada.

São amigas fiéis,
cúmplices nos sorrisos e olhares.

Uma protege a outra...
e vão crescer assim: namoradas!

(Poesia publicada na Antologia de poemas, "Poetas do Café", 2006)

domingo, novembro 05, 2006

Girassóis no domingo


Mão no queixo
Olhar apaixonado

Beijos guardados e um picolé de Jardim.

domingo, outubro 29, 2006

Cena de um momento feliz



Terra molhada
- sereno ao luar -
pés nus saltitam.

sábado, outubro 28, 2006

Fardo de espera insone


Das horas, desvencilhei-me
para depois contá-las...

O tempo ficou chato.
Quando virá o sol?

quarta-feira, outubro 25, 2006

Cicatriz


Caminho na praia.
Descalça.
Na areia, minhas marcas
levadas pelo mar
que chega em forma de onda.

Onda mansa e indefesa.
Onda que vem e desmancha
o castelo do menino...

Castelo dos sonhos
- sonhados por mim -

Onda que lentamente
apaga as marcas,
cravadas em meu peito.

(de uma Hannah adolescente, meados dos anos 90)

(...)


junto com a primavera, girassóis invadem minhas narinas,
um girassol lunar que se perdeu entre poemas ainda não escritos.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Cadência


É sem pudor que me dispo.

- ofereço-me -

enquanto tu te entregas.

Manifesto contra a distância


Tua casa deveria ser
ao lado da minha.

Pulava eu
o muro
e no escuro,
tu serias minha.

Se tua casa minha vizinha fosse,
esquecia rede na varanda.

terça-feira, outubro 17, 2006

Montanha-russa de amor


Altos e baixos,
expressão de momentos nossos.

Céu
Inferno
e um arco-íris no meio.

- transições a cada curva -

Dias planos,
dias felizes...

um pouco mais de paz.

segunda-feira, outubro 16, 2006

domingo, outubro 15, 2006

sexta-feira, outubro 13, 2006

No ar...


Vento cantando,
águas de moinho.

Cata-vento,
cata!

- passarinho -

No céu,
uma pipa a subir.

(brincadeira de Sarah Amin)

quinta-feira, outubro 12, 2006

Caminhos pra te encontrar


Sol arde,
minha pele clara.

Vento a bailar
com meus cabelos.

Coração ligeiro
ao encontro do teu...

Pensamentos pela Encosta da Serra

quarta-feira, outubro 04, 2006

Esperança minha de todo dia


que a paixão
vença o cansaço

e o amor
não fique sozinho em mim.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Pra falar da saudade de hoje...


Cheiro da noite traz cheiro
de nostalgia

eu, sozinha...

Brasil de Muitos



Sou do Brasil de muitos.

Meu país é de Buarque, de Meireles, de Veríssimo, de Drummond.
Meu país é com patativas, colibris, beija-flor.
Meu país é das Marias, dos Joãos, das Raimundas e Antônios.

... Meu país é poesia, ritmo, samba, chorinho e bossa-nova...

É país da enxada
suor no rosto
calos na mão.
Meu país é de sorrisos, de soluços,
de dunas e cachoeiras.

Meu país criança é da
experiência
sobrevivência
é fortaleza.

... Já esse país de mensalões é de poucos...

E no jogo de cintura, eu vejo meu Brasil

no acordar cedo,
na correria do trabalho,
no voltar cansado,
suado...

no contar moedas para o pão e cafezinho
e nas noites insones sem dinheiro.

Vejo esse Brasil de muitos

na cachaça com limão,
no espetinho de gato,
cerveja gelada
e samba improvisado.

é na morena que rebola
no banho de chuva com mar
e principalmente no gingar

...

Insisto
e vejo assim o meu país.

Senão, o desgosto é grande.

(Sarah Amin, 2005. Poesia publicada na antologia digital "Este é o meu País", do site www.avbl.com.br)

quarta-feira, setembro 27, 2006

JOGO DE PALAVRAS


PÉ,
ESPETA.

E

ELAS,
PÉTALAS!

(de Sarah Amin em visita à Hannah)

segunda-feira, setembro 25, 2006

Caso de amor


Uma tarde qualquer.

Olhos fechados
teu cheiro a invadir minhas lembranças.


- Cheiro que invade lembranças -

(uma frase tua para sensações nossas)

domingo, setembro 24, 2006

Opostos



tristeza: o escuro alojado no peito.

alegria: um arco-íris em cada poro!

sábado, setembro 23, 2006

DA NUDEZ


quero teu corpo vestido de carne misturada à minha.

quarta-feira, setembro 20, 2006

Desalento


Tristes olhos de pupilas dilatadas
e uma noite mais escura do que as demais

Peso do escuro
Presa no pesar

alma esmagada por suspiros.

terça-feira, setembro 19, 2006

Cotidiano de Desejo


Acordo.
Meu corpo procura o teu.


Horas antes
- enquanto a lua pairava no céu e antes de o sono render meus olhos –
meu último pensamento foi te querer.


E durante toda a manhã
e durante toda a tarde
e no adentrar da noite,
brincas de me seduzir com palavras sussurradas...

Prenúncio de gemidos e gritos roucos
fugitivos da alma.


Que desejo é esse, amor? Está em ti também?!

Segredos da madrugada


E assim nos despimos do que nos resta de pudor, guiadas por sensações despertas de um corpo que pulsa...

será isso o amor?!

domingo, setembro 17, 2006

Conceito de felicidade


sossego de rede e o vento a brincar com meus cabelos.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Iminência



Hálito morno,
Narinas farejadoras.


Exposta.


Antes do toque,
o tremor.

(sob um respirar suave)

Entrepernas



Intrusos olhares despertam desejos.

palmas suadas
água na boca
molhada.

Como é bom te ver de saia!

quinta-feira, setembro 14, 2006

Olhos de espera


É a tua boca, alento do meu querer.

Sem ela, paisagem desfocada.

CONVERSA DE VIZINHAS




Você é abençoada, caiu no bueiro e só quebrou a perna.
Credo! Mas, estou tossindo.

Monotonia
Insatisfação
Vida que corre ininterrupta...

(bate o portão)

- O cabelo dela cresce rápido!
- E eu cortei mês passado.

(mais uma visita de Sarah Amin à Hannah Abraão)

quarta-feira, setembro 13, 2006

Conceito sobre dominação


Ato

teus braços
- no ato -
atados.

e minhas mãos livres...

PAZ


Para
Amar,
Zíper aberto!

(sexo sem luxo)


Sexo
sem nexo!

Nu em anexo...

(recordações das manhãs)

CONVITE


- E me pegava na rua?!
- Sim.
- Num muro qualquer?
- Sim.

- E por que não vem?
- No ônibus.

(de Sarah Amin, amiga de Hannah)

segunda-feira, setembro 11, 2006

Bilhete do presente esquecido no guarda-roupa


Escolhe, amor,
um lugar privilegiado da sala.

Que todos possam ver!

Amor tão raro assim necessita de espaço para,
ao ser revelado, revelar-se.

Acaso,
seja pequena a sala,
não se afobe.


Eu mando a proposta em fotografia.

Talvez, você e o tempo
decidam entre o porta-retrato ou a gaveta do escritório.

Beijo de acalanto



Ninar você em dias de regra,
intimidade de quem ama.

Desvio de retina


Não leio em ônibus
Medo de a retina desviar...

Aconteceu com Rachel.

Putz, mas ela escrevia tão bem!

(Klycia Fontenele, pensamento, enquanto lia o zine do Carlos Alberto)

domingo, setembro 10, 2006

Esperando teu retorno


idas e vindas
de um ficar incerto

agarro-me a versos
pra alma acalmar.

As horas no domingo são mais lentas.

sábado, setembro 09, 2006

Pela janela


Noite escura,
silêncio

vento que consola.